Resumo do dia: Briefing executivo do sábado 06/06, enxuto e direto ao ponto. Três frentes sustentam a leitura do fim de semana: a pesquisa Tax do Amanhã, da Deloitte, aponta que 60% das empresas têm na gestão simultânea do sistema atual e do novo a sua maior preocupação na transição; a Receita Federal esclareceu que os saldos credores de PIS/Cofins seguem válidos após a extinção das contribuições, com cerca de R$ 140 bilhões em jogo e art. 378 da LC 214/2025 como base; e o Portal Contábeis, a partir do IOB, detalhou o impacto da Reforma no setor de serviços, que responde por cerca de 70% do PIB e vai sair do ISS para a alíquota cheia do IVA. No relógio, faltam 9 dias para o fim das sugestões ao regulamento, em 15/06 às 18h, na segunda-feira da semana que vem.
Bom dia, e bom sábado. Hoje o briefing vem enxuto e com número na mesa, do jeito que sábado pede: menos correria, mais conta para pensar com calma. Três frentes valem a sua leitura. A Deloitte colocou em pesquisa aquilo que você sente no balcão, que o que mais assusta a empresa na transição não é a alíquota nova, é ter que rodar dois sistemas tributários ao mesmo tempo. A Receita Federal deu uma boa notícia que muita gente ainda não percebeu, o seu saldo de PIS/Cofins não vira pó quando a CBS entrar. E o setor de serviços, que é boa parte da sua carteira, começou a fazer a conta de sair do ISS para a alíquota cheia do IVA. Some o relógio do dia 15 e está montado o roteiro. Vamos ao que vale.

⚠️ Despreparo empresarial: o medo de gerir dois sistemas

1. A maior preocupação das empresas na transição não é a alíquota nova, é ter que tocar o sistema atual e o novo ao mesmo tempo: 60%, aponta a pesquisa Tax do Amanhã, da Deloitte

📅 Publicado em 03/06/2026 · Fonte: Portal Contábeis, com base na pesquisa Tax do Amanhã, da Deloitte
  • A pesquisa Tax do Amanhã, da Deloitte, mediu o que mais preocupa as empresas na transição da Reforma, e o topo da lista é claro: 60% apontaram a "gestão simultânea do modelo atual e do novo sistema" como a maior dor. É o período de convivência entre os tributos velhos e os novos, que se estende ao longo da transição, virando o principal foco de atenção.
  • Logo atrás aparecem dores que são de negócio, não só de fisco: 39% citaram as "negociações sobre preço e margem com fornecedores", 33% as "negociações com clientes" e 31% o "prazo para operacionalizar os novos tributos". A Reforma deixou de ser tema só do departamento fiscal e entrou na conversa comercial da empresa.
  • Do outro lado, a mesma pesquisa mostra o que as empresas esperam ganhar: 67% esperam "simplificação dos impostos", 67% "maior transparência da carga tributária", 64% "redução das obrigações acessórias" e 55% a "redução do custo de compliance tributário". A expectativa é alta, e expectativa alta cobra entrega.
Comentário do Prof.Esse 60% é o melhor argumento de venda que você tem hoje, e ele não é sobre a alíquota, é sobre a convivência. Repare na natureza do problema: a empresa não tem medo do imposto novo isolado, tem medo de manter PIS, Cofins, ICMS e ISS rodando enquanto IBS e CBS sobem em paralelo, dois trilhos ao mesmo tempo, cada um com a sua regra de crédito e a sua obrigação. É exatamente aí que o profissional de contabilidade e o tributarista valem ouro, porque ninguém atravessa a convivência sem quem entenda os dois sistemas. E olhe os números de baixo: preço, margem e negociação com cliente e fornecedor. Isso quer dizer que o seu cliente vai precisar de você não só para apurar, mas para sentar com ele e recalcular preço de venda na nova lógica de crédito. Quem oferece só a apuração entrega o mínimo; quem entra na conversa de margem vira parceiro de decisão. Use esse dado na sua próxima reunião, porque ele traduz em pesquisa o que o empresário ainda não sabe nomear.

💰 Crédito e transição: o seu saldo de PIS/Cofins

2. A Receita Federal esclareceu que os saldos credores de PIS/Cofins não evaporam quando a CBS entrar: continuam válidos, com base no art. 378 da LC 214/2025, e podem ser usados, ressarcidos ou compensados

📅 Publicado em 03/06/2026 · Fonte: Ministério da Fazenda / Receita Federal
  • O recado oficial é direto: mesmo com a extinção do PIS e da Cofins, prevista para janeiro de 2027 com a entrada plena da CBS, os saldos credores acumulados dessas contribuições permanecem válidos. Eles poderão compensar débitos da própria CBS, ser ressarcidos em dinheiro ou compensados com outros tributos federais, pela via do PER/DCOMP Web. A base citada é o art. 378 da Lei Complementar nº 214/2025, somado aos arts. 49 a 52 da Instrução Normativa RFB nº 2.055/2021.
  • O tamanho da conta explica por que o tema é sensível: a Receita estima cerca de 100 mil empresas com créditos de PIS/Cofins, somando algo perto de R$ 140 bilhões. A boa notícia para o pequeno é a distribuição: cerca de 70% das empresas têm saldo inferior a R$ 100 mil e 90% registram créditos abaixo de R$ 1 milhão.
  • O ponto de atenção fica para quem tem divergência. A Receita identificou cerca de 12 mil empresas com inconsistências nos créditos declarados, envolvendo aproximadamente R$ 44 bilhões. É crédito que pode ser questionado, e crédito questionado na virada vira passivo escondido se ninguém olhar antes.
Comentário do Prof.Guarde a mensagem tranquilizadora primeiro: o crédito de PIS/Cofins que a sua empresa acumulou não vira pó na virada para a CBS, o art. 378 da LC 214 garante a sobrevivência dele e o caminho de uso é o PER/DCOMP Web, que você já conhece. Mas não pare na boa notícia, porque o número que importa para você é o outro, os R$ 44 bilhões em divergência espalhados por 12 mil empresas. Esse é o trabalho que se cobra agora, antes de 2027: revisar o saldo credor de cada cliente, conferir se ele se sustenta documentalmente e limpar a inconsistência enquanto ainda dá, porque chegar na extinção do PIS/Cofins com crédito inconsistente é entrar na CBS carregando um passivo que ninguém viu. Faça a régua simples na sua carteira: quem tem saldo relevante de PIS/Cofins entra agora numa revisão de aproveitamento, e quem está nos 70% de saldo pequeno só precisa confirmar que o valor está limpo. Diagnóstico de crédito na transição é serviço com começo, meio e fim, e prazo natural até a virada. Quem faz isso em 2026 protege o cliente; quem deixa para 2027 vai apagar incêndio.

🏭 Impacto setorial: o setor de serviços

3. O setor de serviços, que responde por cerca de 70% do PIB, sai do ISS para a alíquota cheia do IVA, com reduções de 60% ou 30% só para alguns recortes e o velho problema da folha que não gera crédito

📅 Publicado em 05/06/2026 · Fonte: Portal Contábeis, a partir do IOB
  • A leitura parte de um peso que assusta: serviços respondem por cerca de 70% do PIB brasileiro, e incluem educação, saúde, tecnologia, comunicação, turismo, finanças, consultoria e transporte. Na lógica nova, a CBS substitui PIS e Cofins e o IBS unifica ICMS e ISS, levando boa parte desse universo, que hoje paga ISS em alíquotas baixas, para a alíquota cheia do IVA Dual.
  • As reduções existem, mas são recorte, não regra geral. Pela Lei Complementar nº 214/2025, há 60% de redução para educação, saúde, dispositivos médicos, higiene pessoal e cultura; 30% de redução para os profissionais de profissão regulamentada com conselho fiscalizador, como advogados, engenheiros e contadores; e alíquota zero para casos como educação no Prouni, ICTs sem fins lucrativos e transporte público coletivo urbano. Quem não cai num desses recortes vai para a alíquota integral.
  • E há o ponto que mais dói no serviço: a folha de salários não gera crédito. Empresa intensiva em mão de obra, que é a cara do setor, tem pouco insumo para creditar e, ao mesmo tempo, a maior parte do custo concentrada em pessoas, justamente o que não vira crédito. Para quem está hoje no Simples ou no PIS/Cofins cumulativo, é a conta que precisa ser refeita.
Comentário do Prof.Serviço é o setor onde a Reforma mais mexe no bolso, e a razão tem nome: a folha não gera crédito. Decore essa frase, porque ela é a chave de toda conversa com cliente de serviço. A empresa de serviço típica tem custo concentrado em gente, não em insumo, então ela credita pouco e, se não cair num dos recortes de redução, ainda enfrenta alíquota cheia onde antes pagava ISS baixo. Não saia repetindo que "serviço vai pagar mais" como sentença, porque depende: clínica e escola têm 60% de redução, escritório de profissão regulamentada tem 30%, e quem está fora dos recortes é que sente o golpe inteiro. O trabalho aqui é classificar cada cliente de serviço da sua carteira no recorte certo e refazer a conta dele com a nova lógica de crédito, porque é isso que vai dizer se ele aumenta preço, corta margem ou repensa a estrutura. Cliente de serviço que descobrir sozinho, em 2027, que está na alíquota cheia vai cobrar do contador por que ninguém avisou. Avise agora, com a conta na mão.

🚨 Deadline do mês: sugestões ao regulamento até 15/06, às 18h (faltam 9 dias)

📅 Base: Fórum "Diálogos da Regulamentação" (Receita Federal e Comitê Gestor do IBS)

Este é o último fim de semana inteiro antes de a janela fechar. O prazo para enviar sugestões aos regulamentos do IBS e da CBS pelo Fórum "Diálogos da Regulamentação" termina na segunda-feira da semana que vem, dia 15 de junho, às 18h. Depois disso, esta rodada de contribuição se encerra e o texto segue para a próxima versão. Os três temas de hoje conversam direto com esse prazo: a mecânica de crédito na transição, o tratamento do setor de serviços e a forma como a convivência entre os dois sistemas vai ser operada são exatamente os pontos que ainda comportam ajuste no regulamento.

Comentário do Prof.Faltam 9 dias, e o sábado é justamente o momento de transformar incômodo em sugestão escrita. O recado vale para todo profissional da área, não só para quem assessora entidade. Você não precisa enviar sozinho: o caminho mais eficiente é levar a sua sugestão ao seu conselho de classe, ao CRC, à OAB ou à entidade que representa a sua categoria, que consolida as contribuições e as encaminha à administração tributária. Se a sua dor é a divergência de crédito de PIS/Cofins na virada, ou a alíquota cheia caindo sobre serviço intensivo em mão de obra, escreva isso citando o artigo do regulamento, a redação que você propõe e a justificativa técnica, porque sugestão ancorada em dispositivo é a que o relator efetivamente lê. Aproveite que hoje tem tempo: rascunhe a contribuição agora e mande para a sua entidade na segunda de manhã, antes das 18h. Participar agora é mais barato que recorrer depois.

💡 Hook do dia

Pegue um cliente de serviço da sua carteira e responda a uma pergunta só: ele cai em algum recorte de redução, os 60% da saúde e educação, os 30% da profissão regulamentada, ou vai para a alíquota cheia? Se você souber responder de cabeça, com o enquadramento certo, você já está à frente. Se precisar conferir, ótimo, esse é o trabalho deste fim de semana. Porque a conta do serviço na Reforma se decide no recorte, e o profissional que classifica cada cliente antes de 2027 é o que orienta a decisão de preço. O que descobre junto com o cliente, depois que a fatura chegou alta, virou espectador. Tá?

📅 Próximas águas a observar

  • 15/06, 18h: fim do prazo de sugestões aos regulamentos do IBS e da CBS, pelo Fórum "Diálogos da Regulamentação" (Receita Federal e Comitê Gestor do IBS).
  • 16/06: módulo 4 (Cadastro) da capacitação nacional do CFC com a Receita Federal, quando as aulas passam a ser semanais; na sequência, 23/06 (Obrigações Acessórias) e 30/06 (Apuração Assistida).
  • 01/08/2026: encerramento da carência de penalidades sobre os campos de IBS e CBS no documento fiscal (faltam 56 dias).
  • 1º a 30/09/2026: janela de opção do Simples Nacional pelo regime regular de IBS e CBS, com efeitos a partir de 01/01/2027.
  • 01/01/2027: entrada plena da CBS e extinção do PIS e da Cofins, quando os saldos credores passam a ser usados sob as novas regras de transição.

📌 Para acompanhar e se aprofundar

Sábado de número na mesa: a Deloitte mostrou que o medo real é gerir dois sistemas ao mesmo tempo, a Receita garantiu que o seu saldo de PIS/Cofins atravessa a virada, e o setor de serviços começou a fazer a conta da alíquota cheia. Três sinais de que a transição não é assunto de 2027, é trabalho de 2026, com revisão de crédito e enquadramento setorial para fazer agora. Quem usa o fim de semana para classificar a carteira e rascunhar uma sugestão ao regulamento chega na segunda à frente, não atrás. Bom fim de semana, e fiquem com Deus.

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