Resumo do dia: Briefing de sábado 22/08 com três itens. O primeiro é a pesquisa da Roit, feita entre maio e junho de 2026 com 70 diretores e gestores das áreas financeira, fiscal e de tecnologia de médias e grandes empresas que somam mais de R$ 2 trilhões em receitas anuais, na qual apenas 1% afirma ter a área de TI pronta para a Reforma, 37% ainda não revisaram contratos, 34% não sabem como seus preços serão afetados em 2027 e 27% não sabem se a margem vai subir, cair ou ficar neutra. O segundo é operacional e alcança a maior fatia das carteiras contábeis: o novo PGDAS-D, com declaração pré-preenchida e assistida eletronicamente, entrou em fase de homologação nos dias 20 e 21 de agosto, adaptado para a apuração de IBS e CBS a partir de 1º de janeiro de 2027. E o terceiro traz o cronograma completo das quatro fases de obrigatoriedade dos campos de IBS e CBS nos documentos fiscais eletrônicos, com base no Ato Conjunto RFB/CGIBS nº 4, publicado em 30 de julho de 2026. O deadline é 1º de outubro, a 40 dias, quando entram a NFS-e de serviços gerais, a NFCom e a DIR.

Bom dia, e bom sábado. O briefing de hoje tem três itens, e eles conversam entre si de um jeito bem direto. O primeiro é um retrato de dentro das médias e grandes empresas, feito com quem decide orçamento de sistema, e o número que sai dele é pequeno de doer: apenas 1% diz ter a área de tecnologia pronta. O segundo mostra a máquina pública andando na direção oposta, com o programa que a maior parte das empresas do país usa todo mês entrando em homologação já adaptado a IBS e CBS. E o terceiro organiza o calendário do documento fiscal em quatro fases, com data para cada tipo de nota. Sábado é bom dia para olhar calendário com calma, então é por aí que eu fecho. Vamos a eles.

⚠️ Despreparo: 1% com a tecnologia pronta

1. Pesquisa da Roit com 70 diretores e gestores de médias e grandes empresas aponta que apenas 1% considera a área de tecnologia pronta para a Reforma Tributária, que 37% ainda não revisaram contratos e que 34% não sabem como os preços de seus produtos e serviços serão afetados em 2027

📅 Publicado em 21/08/2026 · Fonte: contabeis.com.br
  • A pesquisa foi realizada pela Roit entre maio e junho de 2026, com 70 diretores e gestores das áreas financeira, fiscal e de tecnologia de médias e grandes empresas, que somam mais de R$ 2 trilhões em receitas anuais.
  • Apenas 1% das médias e grandes empresas afirma ter a área de TI pronta para as mudanças, enquanto 40% ainda estão planejando as adequações de tecnologia e 31% afirmaram já ter iniciado as adequações.
  • No autodiagnóstico de preparo, 14% se consideram não preparados e 13% sequer haviam iniciado a discussão interna sobre o tema.
  • Sobre simulações de impacto financeiro, 24% ainda não fizeram nenhuma, 49% realizaram apenas simulações preliminares, 19% fizeram análises utilizando dados estruturados e 9% chegaram a realizar análises detalhadas.
  • Na frente de preço e margem, 34% não sabem como os preços de seus produtos e serviços poderão ser afetados em 2027 e 27% não sabem se a margem de lucro deverá aumentar, diminuir ou permanecer neutra.
  • Do lado contratual, 37% das empresas ainda não revisaram seus contratos.
Comentário do Prof. Antes de qualquer leitura, é importante saber com quem se falou aqui, porque isso muda o peso do número. Não foram microempresas sem estrutura. Foram 70 diretores e gestores de médias e grandes empresas que, somadas, passam de R$ 2 trilhões em receitas anuais. É a fatia do mercado que tem departamento fiscal montado, orçamento de TI e consultoria contratada. E é nessa fatia que apenas 1% diz ter a tecnologia pronta.

Na minha leitura, o número mais acionável não é o 1%, é o par formado pelos 34% que não sabem o efeito sobre o próprio preço e pelos 27% que não sabem para onde vai a margem. Repare no que isso significa na prática: são empresas que vão negociar contrato, reajuste e tabela de preço para 2027 sem saber qual é o piso delas. Quem senta na mesa sem esse número aceita a proposta do outro lado, porque não tem como sustentar a própria.

Para quem atende esse porte de cliente, tem um serviço inteiro nascendo dentro desses 37% que ainda não revisaram contratos. Contrato de prazo longo, com preço fixado sob a lógica de PIS, Cofins, ICMS e ISS, vai atravessar 2027 com outra composição de carga e outro regime de crédito para o comprador. Alguém vai ter que reabrir esses contratos, e é muito melhor que seja você, com planilha, do que o cliente, em cima do prazo, com o jurídico do outro lado já preparado.

Uma sugestão bem concreta para a semana que vem: escolha um cliente, pegue os cinco maiores contratos em valor, e monte uma folha só com três colunas, que são o que ele recebe hoje, o que ele receberia com a nova composição em 2027, e quem fica com o crédito na ponta. Não precisa estar perfeito. Precisa existir, porque hoje, pelo que essa pesquisa mostra, na maioria das empresas essa folha simplesmente não existe.

💻 Simples Nacional: o PGDAS-D novo já está sendo testado

2. O novo PGDAS-D, com declaração pré-preenchida e assistida eletronicamente, entrou em fase de homologação nos dias 20 e 21 de agosto de 2026, adaptado às regras da Reforma Tributária para a apuração unificada de IBS e CBS a partir de 1º de janeiro de 2027

📅 Publicado em 21/08/2026 · Fonte: contabeis.com.br
  • A publicação registra que a fase de homologação do novo sistema ocorreu nos dias 20 e 21 de agosto de 2026.
  • Uma das principais mudanças em desenvolvimento é a adoção de uma declaração pré-preenchida e assistida eletronicamente.
  • O programa está sendo adaptado às regras da Reforma Tributária sobre o Consumo para a apuração unificada do Imposto sobre Bens e Serviços e da Contribuição sobre Bens e Serviços.
  • A base normativa é a Resolução CGSN nº 190, de 4 de agosto de 2026, que determina as alterações necessárias para que o programa esteja preparado para a apuração do IBS e da CBS, com efeitos a partir de 1º de janeiro de 2027.
  • Participam dos trabalhos a Receita Federal do Brasil, secretarias municipais de finanças, o Serpro e a Confederação Nacional de Municípios.
Comentário do Prof. Eu sei que "sistema entrou em homologação" parece notícia de bastidor técnico, sem efeito na mesa de ninguém. Mas guarde uma palavra desse item, porque ela vale mais do que parece: pré-preenchida.

Pense no que aconteceu com a declaração do Imposto de Renda quando ela passou a vir pré-preenchida. O trabalho não desapareceu, ele mudou de lugar. Deixou de ser digitar e passou a ser conferir o que o Fisco já sabe, e discordar quando o dado está errado. É exatamente essa a mudança que está sendo montada no PGDAS-D. A partir do momento em que o programa chega com a apuração de IBS e CBS já sugerida, com base no que veio dos documentos fiscais, quem apura para de construir o número e passa a auditar o número que a administração tributária construiu.

E aí a corrente inteira aparece: o que alimenta essa apuração sugerida é o documento fiscal que o cliente emitiu e o que ele recebeu dos fornecedores. Se os campos de IBS e CBS vierem errados na origem, o pré-preenchimento vai chegar errado, e o erro vai estar dentro de uma tela que passa uma sensação confortável de que já foi conferido por alguém. Não foi.

Duas providências que cabem agora, e a segunda é a mais importante. A primeira é acompanhar a Resolução CGSN nº 190 de 2026 e as próximas comunicações sobre o programa, porque é ali que a mecânica vai ser detalhada. A segunda é revisar a parametrização dos clientes do Simples que já emitem documento fiscal eletrônico com os campos novos, ainda em 2026, enquanto o dado é informativo. Cada erro que você corrigir agora é um erro a menos chegando pré-preenchido na apuração de 2027.

E uma nota sobre prazo regulatório, porque ela vale para tudo que está sendo construído nesta fase: quando um programa entra em homologação, existe uma janela real de influência sobre o desenho dele. Se na sua rotina você identificar um comportamento do sistema que não bate com a realidade operacional dos seus clientes, escreva isso de forma objetiva e leve ao seu conselho de classe, seja o CRC, seja a OAB, seja a entidade que representa a sua categoria. É esse caminho institucional que consolida as manifestações e as encaminha à administração tributária. Contribuição individual dispersa costuma se perder, contribuição consolidada por entidade chega.

🗺️ Documento fiscal: o calendário completo em quatro fases

3. A Secretaria de Finanças de Rondônia publicou o cronograma completo de implementação dos documentos fiscais eletrônicos da Reforma Tributária em quatro fases, com base no Ato Conjunto RFB/CGIBS nº 4, publicado em 30 de julho de 2026, e a fase 2 começa em 1º de outubro de 2026

📅 Publicado em 18/08/2026 · Fonte: reformatributaria.sefin.ro.gov.br
  • A fase 1, iniciada em 3 de agosto de 2026, alcança a NF-e modelo 55, a NFC-e modelo 65, o CT-e modelo 57, o CT-e OS modelo 67, o MDF-e modelo 58, o GTV-e modelo 64, a NF3e modelo 66, o BPe modelo 63, o DC-e modelo 99 e a NFS-e de Exploração de Via.
  • A fase 2, marcada para 1º de outubro de 2026, alcança a NFS-e de serviços gerais, a NFCom modelo 62 e a DIR.
  • A fase 3, marcada para 1º de dezembro de 2026, alcança a NFS-e de plataformas digitais, tecnologia, transporte urbano, bens imateriais, taxas condominiais e locações, além da NFGas modelo 76, da NFAg modelo 75 e da NF-e ABI modelo 77.
  • A fase 4, marcada para 1º de janeiro de 2027, alcança os fornecimentos monofásicos, a Duimp, os demais eventos do DeRE e o Simples Nacional.
  • O cronograma tem por base o Ato Conjunto RFB/CGIBS nº 4, publicado em 30 de julho de 2026.
Comentário do Prof. Esse é o tipo de item que eu gosto de deixar para o sábado, porque ele não pede reação, pede planejamento. É uma lista de datas, e uma lista de datas só serve para alguma coisa quando você cruza ela com a sua carteira de clientes.

Então faça esse cruzamento. Abra a lista de clientes e escreva na frente de cada um qual documento fiscal ele emite. Quem emite NF-e e NFC-e já está dentro da fase 1 desde 3 de agosto, e para esses a pergunta não é mais "quando", é "está saindo certo". Quem presta serviço na regra geral do ISS e quem emite NFCom, que é o pessoal de comunicação, entra em 1º de outubro, e são 40 dias. A fase 3, de 1º de dezembro, é a que mais gente vai subestimar, porque ela pega plataforma digital, tecnologia, bens imateriais, taxa condominial e locação, e boa parte dessas operações está hoje em cliente que nem se enxerga como "empresa de nota fiscal complicada". E a fase 4, de 1º de janeiro de 2027, junta o Simples Nacional com os monofásicos e a Duimp no mesmo dia em que a cobrança efetiva começa.

Repare na inteligência do desenho: as fases foram ordenadas do documento mais padronizado para o menos padronizado. NF-e primeiro, porque é nacional e madura. NFS-e depois, em duas levas, porque ela envolve realidade municipal e serviços de natureza bem diferente entre si. E o Simples por último, junto com a virada. Quem entende essa lógica consegue prever onde vai doer, e o lugar onde vai doer é a fase 3, na NFS-e das operações menos convencionais.

Detalhe importante de método, e eu insisto nele: a fonte primária aqui é o Ato Conjunto RFB/CGIBS nº 4, de 30 de julho de 2026. A publicação de Rondônia organiza e divulga o calendário, o que ajuda muito, mas na hora de fundamentar uma orientação por escrito ao cliente, cite o ato conjunto.

🚨 Deadline: 1º de outubro de 2026, a 40 dias, começa a fase 2 do cronograma dos documentos fiscais, e entram a NFS-e de serviços gerais, a NFCom e a DIR

Pelo cronograma baseado no Ato Conjunto RFB/CGIBS nº 4, publicado em 30 de julho de 2026, a segunda fase de implementação dos campos de IBS e CBS nos documentos fiscais eletrônicos alcança a NFS-e de serviços gerais, a NFCom modelo 62 e a DIR. reformatributaria.sefin.ro.gov.br, 18/08/2026

Coloquei essa data na caixa vermelha porque ela é a que alcança mais gente na carteira média de um escritório e a que menos apareceu nas conversas até agora. Prestador de serviço na regra geral do ISS é o cliente mais comum que existe, e ele passou os últimos dois meses ouvindo falar de NF-e, de campo novo e de alíquota teste achando que aquilo era assunto de indústria e comércio. Não era, era a fila. Em 1º de outubro chega a vez dele. Quarenta dias parecem muitos, mas metade disso vai embora esperando o fornecedor de software confirmar a data de atualização, e a outra metade some entre testar, achar erro de cadastro de serviço e corrigir. Se você atende prestador de serviço, a conversa com o fornecedor de sistema é desta semana, não de setembro.

💡 Hook do dia

Os três itens de hoje, lidos juntos, formam uma imagem bem clara. De um lado, a máquina pública andando: programa em homologação, cronograma publicado em quatro fases, data definida para cada tipo de documento. Do outro lado, a empresa: 1% com tecnologia pronta, 37% sem contrato revisado, 34% sem saber o efeito no próprio preço.

Essas duas velocidades não vão se encontrar sozinhas. Alguém precisa estar no meio traduzindo uma para a outra, e esse alguém é o profissional que lê ato conjunto, entende o que é homologação de sistema e sabe transformar uma lista de datas em plano de trabalho por cliente. Não é o empresário que vai fazer isso. Ele nem sabe que existe uma fase 2.

Eu acho que esse é o ponto que mais se perde no meio de tanta notícia técnica, então deixo ele explícito para o fim de semana de vocês: a distância entre o que a administração tributária já organizou e o que a empresa média entendeu é grande, e ela é exatamente o tamanho do espaço profissional de quem estuda isso agora. Não daqui a dois anos, agora, com contrato em cima da mesa e prazo no calendário. Tá?

📅 Próximas águas a observar

  • 25 de agosto de 2026, terça-feira: 14º módulo do curso Reforma Tributária do Consumo, da Receita Federal com o Conselho Federal de Contabilidade, com foco em agronegócio e cooperativismo agrícola, presencial em Cascavel, no Paraná. Faltam 3 dias.
  • 1º de setembro de 2026: abre a janela de opção do Simples Nacional sobre a forma de recolhimento de IBS e CBS, que vai até 30 de setembro. Faltam 10 dias.
  • 22 de setembro de 2026: último módulo da série de 18 do curso da Receita Federal com o CFC. Faltam 31 dias.
  • 27 de setembro de 2026: entrada em produção das novas regras de IBS e CBS na DUIMP, no Portal Único Siscomex. Faltam 36 dias.
  • 30 de setembro de 2026: encerra a janela de opção do Simples Nacional. Faltam 39 dias.
  • 1º de outubro de 2026: fase 2 do cronograma dos documentos fiscais eletrônicos, com NFS-e de serviços gerais, NFCom e DIR. Faltam 40 dias.
  • 30 de novembro de 2026: prazo atual para desistência da opção por IBS e CBS fora do Simples. Faltam 100 dias.
  • 1º de dezembro de 2026: fase 3 do cronograma, com NFS-e de plataformas digitais, tecnologia, transporte urbano, bens imateriais, taxas condominiais e locações, além de NFGas, NFAg e NF-e ABI. Faltam 101 dias.
  • 1º de janeiro de 2027: fase 4 do cronograma, com fornecimentos monofásicos, Duimp, demais eventos do DeRE e Simples Nacional, no mesmo dia em que começa a cobrança efetiva de IBS e CBS. Faltam 132 dias.

📌 Para acompanhar e se aprofundar

  • Acompanhe o Termômetro todo dia no blog: blog.professorfellipeguerra.com.br/blog
  • O 14º módulo do curso Reforma Tributária do Consumo, da Receita Federal com o Conselho Federal de Contabilidade, acontece em 25 de agosto, com foco em agronegócio e cooperativismo agrícola, presencial em Cascavel, no Paraná, e as inscrições são feitas pelo Sistema de Inscrições do CFC.
  • As inscrições do curso Dominando a Reforma Tributária estão abertas: professorfellipeguerra.com.br/reforma-tributaria-v2

Se hoje der para fazer só uma coisa, faça a do terceiro item, porque ela cabe num café de sábado e organiza o resto do ano. Pegue a lista de clientes, escreva na frente de cada nome qual documento fiscal ele emite, e marque em qual das quatro fases ele cai. Quando você terminar, vai ter na mão uma coisa que quase nenhum escritório tem hoje, que é a ordem exata em que os seus clientes vão precisar de você.

Bom sábado a todos, bom descanso, e fiquem com Deus.

Comente. Sua leitura conta.

Discorde, complemente, sugira uma notícia que faltou.

Comentários em breve.
Mande sua leitura por Instagram ou e-mail.