Resumo do dia: Briefing de domingo 05/07, mais editorial e de leitura de fundo, com dois movimentos que mostram a Reforma deixando o plano do discurso e virando engenharia de rotina, e um relógio curto. O primeiro recado vem do agronegócio: em reportagem de Cecilia Araújo publicada no JOTA e reproduzida pela Fenafisco, o setor mostra que o desafio deixou de ser a alíquota nominal e passou a ser a arquitetura do sistema, com as preocupações concentradas na efetividade dos créditos de IBS e CBS e na rastreabilidade exigida para o diferimento dos insumos. O segundo é sobre o documento fiscal: a Receita e o Comitê Gestor do IBS estão na fase final de elaboração de um ato conjunto que vai detalhar, documento por documento, as hipóteses e momentos de emissão dos documentos fiscais, incluindo modelos novos como a NFAg e a NF-e ABI, um cronograma que a categoria ainda espera para fechar a configuração dos sistemas. E o relógio mais curto da semana não é o de agosto: nesta quinta, 10 de julho, e agora a 5 dias, encerra o prazo para as tabelas da versão 1.60 do Informe Técnico 2025.002 entrarem em homologação e produção nos emissores. O fim de semana é a última janela calma para conferir, fornecedor por fornecedor, se o sistema já está na versão nova.
Bom dia, e bom domingo. Depois de uma semana em que a manchete foi de discurso, a Reforma de verdade seguiu por baixo, no lugar onde ela realmente muda o seu trabalho: a engenharia de operar o imposto. Dois recados de fundo dão o tom de hoje. O primeiro vem do campo, com o agronegócio mostrando que a conversa do setor já não é mais sobre a alíquota, e sim sobre como o crédito vai funcionar e como rastrear o insumo que entra com diferimento. O segundo vem da mesa técnica, com a Receita e o Comitê Gestor do IBS ainda devendo o ato que vai dizer, documento por documento, quando e como emitir cada nota, incluindo modelos novos que quase ninguém ainda mapeou. E, por cima da leitura de fundo, um relógio bem curto para quem emite nota: nesta quinta, 10 de julho, a 5 dias, as tabelas da versão 1.60 têm que estar rodando no sistema dos seus clientes. Domingo é dia de olhar o fundo do mar sem perder de vista a onda que já vem chegando.

🏭 Impacto setorial: no agronegócio, a briga da Reforma sai da alíquota e vai para a arquitetura do sistema

1. Uma reportagem sobre a Reforma no agronegócio mostra que o desafio do setor deixou de ser a alíquota nominal e passou a ser a efetividade do crédito e a rastreabilidade exigida para o diferimento dos insumos

📅 Publicado em 03/07/2026 · Fonte: fenafisco.org.br
  • Em reportagem de Cecilia Araújo, publicada originalmente no JOTA e reproduzida pela Fenafisco, o retrato do agronegócio diante da Reforma muda de eixo. Mesmo com o setor mantendo os seus benefícios, a redução de alíquota, o crédito presumido e as isenções, a preocupação central migrou para outro terreno. Nas palavras da matéria, os "efeitos principais deixam de ser a alíquota nominal e passam a ser a arquitetura do sistema".
  • O ponto sensível é o que sustenta a economia do setor no novo modelo. A reportagem registra que "persistem preocupações com a efetividade dos créditos tributários, a rastreabilidade exigida para o diferimento de insumos". Ou seja, o desenho do IBS e da CBS pode ser generoso no papel, mas quem vive do agro só vai sentir o benefício se o crédito de fato circular e se a cadeia conseguir provar a origem do insumo que entrou com o imposto suspenso.
  • É uma virada de foco que vale para muito além da porteira. O agro é o primeiro grande setor a dizer em voz alta o que os outros ainda vão descobrir: na Reforma, a diferença entre ganhar e perder não está mais na tabela de alíquotas, e sim na engrenagem que faz o crédito andar e a informação bater.
Comentário do Prof.Esse é o tipo de leitura que eu queria que todo profissional fizesse, porque ela vale para a sua carteira inteira, não só para quem atende produtor rural. Repare no que a reportagem está dizendo: o setor parou de brigar pelo tamanho da alíquota e começou a se preocupar com a arquitetura, com o encanamento por onde o crédito passa. E é aí que mora o seu trabalho no ano que vem. Crédito de IBS e CBS não é automático: ele depende de a operação anterior ter sido informada corretamente, de o documento fiscal estar bem preenchido e, no caso do agro, de a rastreabilidade do insumo diferido estar em ordem, senão o diferimento vira cobrança lá na frente. O recado prático para a sua mesa é começar a olhar cada cliente pela lógica do crédito: de quem ele compra, se esse fornecedor vai gerar crédito válido, e onde a cadeia dele pode travar. Quem entender agora que a Reforma se ganha ou se perde na engrenagem, e não na tabela, larga na frente. E, já que boa parte dessa engrenagem ainda está sendo desenhada nos regulamentos, se você enxerga na prática onde a regra do crédito ou da rastreabilidade vai gerar nó, leve isso ao seu conselho de classe, ao CRC, à OAB, à entidade que representa você, que é o canal que consolida a contribuição técnica e a encaminha a quem está escrevendo a norma.

💻 Documento fiscal: o ato que ainda falta para fechar o quebra-cabeça da nota

2. A Receita e o Comitê Gestor do IBS estão na fase final de um ato conjunto que vai detalhar, documento por documento, quando e como emitir cada nota fiscal, incluindo modelos novos como a NFAg e a NF-e ABI

📅 Publicado em 01/07/2026 · Fonte: reformatributaria.com
  • Segundo o Portal da Reforma Tributária, a Receita Federal e o Comitê Gestor do IBS estão na fase final de elaboração de um ato normativo conjunto que vai amarrar o cronograma da emissão das notas na Reforma. Respondendo a um questionamento de um deputado, em 16 de junho, o comitê afirmou que "será publicado em breve, portanto, ato normativo conjunto entre RFB e CGIBS detalhando, documento por documento, as hipóteses e momentos de emissão dos documentos fiscais instituídos".
  • A novidade que ninguém pode ignorar é que esse cronograma não trata só dos modelos que você já conhece. Ele deve definir as datas de obrigatoriedade também para modelos novos, como a NFAg, a Nota Fiscal de Água e Saneamento, e a NF-e ABI, ampliando o universo de documentos que passam a nascer já dentro da lógica do IBS e da CBS.
  • O detalhe de método importa para o seu planejamento: enquanto o ato não sai, a régua de "quando emitir cada documento" continua com peças faltando. Não é motivo para parar, e sim para ficar de olho, porque é esse texto que vai dar a palavra final sobre o calendário de cada tipo de nota.
Comentário do Prof.Aqui o recado é sobre expectativa e disciplina. Muita gente está esperando esse ato conjunto sair para só então começar a configurar sistema e treinar equipe, e esse é o erro que eu não quero que você cometa. O ato vai fechar o detalhe, o documento por documento, mas o miolo do trabalho, que é preencher corretamente os campos de IBS e CBS na nota, já está definido e já tem prazo, com a régua de agosto correndo. Então o certo é trabalhar em duas velocidades: fazer agora tudo o que já dá para fazer, a adequação do emissor e o teste da apuração informativa, e deixar um espaço de revisão para quando o ato detalhar o calendário de cada modelo, inclusive os novos, como a NFAg e a NF-e ABI, que podem pegar de surpresa quem atua em saneamento e em operações específicas. E vale o de sempre: se a demora do ato está travando o seu planejamento, essa é uma cobrança legítima para a categoria levar, pelo seu conselho de classe, o CRC, a OAB, a entidade que representa você, a quem está conduzindo a regulamentação. Clareza de calendário é pedido justo de quem vai operar a máquina.

🚨 Deadline mais curto da vez: 10 de julho, e faltam 5 dias

📅 Base: versão 1.60 do Informe Técnico 2025.002, Receita Federal e Comitê Gestor do IBS · contabeis.com.br

Antes de 3 de agosto, o relógio que aperta primeiro é o desta quinta, 10 de julho: é o prazo para as tabelas atualizadas da versão 1.60 do Informe Técnico 2025.002 entrarem em homologação e produção nos sistemas emissores. Essa versão mexe na tabela de classificação tributária, a cClassTrib, e na de crédito presumido, a cCredPres, e traz a coluna pRedTransicaoIBS, com o percentual de redução aplicável ao IBS na transição. O ângulo de hoje é o do calendário: entre este domingo e a quarta, você tem a última janela calma para transformar isso em ação sem correria. A pergunta a fazer, uma a uma, para cada fornecedor de software da sua carteira, é sempre a mesma: a versão 1.60 já está aplicada, em homologação e em produção, com as tabelas novas carregadas? Quem sair da segunda-feira com essa resposta confirmada atravessa o dia 10 tranquilo. Quem deixar para conferir na própria quinta corre o risco de descobrir o emissor na versão velha bem na hora do aperto, e ainda com a régua de agosto no pescoço.

💡 Hook do dia

Fica o fio do domingo, e ele nasce das duas notícias de hoje: a Reforma que decide o seu bolso não está na tabela de alíquotas, está no encanamento. O agro já entendeu isso, e por isso parou de discutir o quanto se paga para discutir como o crédito anda e como se prova a origem do insumo. E a mesa técnica confirma pelo avesso, quando diz que ainda falta o ato para dizer, documento por documento, como cada nota nasce. Percebe o padrão? O jogo da Reforma se ganha no detalhe operacional, no crédito que circula, na informação que bate, na nota bem emitida. É um trabalho que não vira manchete, mas é ele que separa o profissional que vai ser procurado do que vai ser trocado. Neste domingo, em vez de se abastecer de discurso sobre se a Reforma vai ou não vai, abasteça-se de método: entenda a lógica do crédito de cada cliente e confira, fornecedor por fornecedor, se o sistema está pronto para a quinta. É o trabalho quieto de hoje que vira a sua vantagem lá na frente. Tá?

📅 Próximas águas a observar

  • 08/07/2026: entra em produção a nota técnica 2014.002, versão 1.40, que atualiza o sistema da NF-e para aceitar o CNPJ alfanumérico, ajuste técnico que corre em paralelo à adaptação dos emissores para a Reforma. Faltam 3 dias.
  • 10/07/2026: prazo para as tabelas atualizadas de classificação tributária e de crédito presumido da versão 1.60 do Informe Técnico 2025.002 entrarem em homologação e produção nos emissores. Faltam 5 dias.
  • 31/07/2026: encerra o prazo para adequar os sistemas de emissão de nota ao regulamento do IBS, conforme o Ato Conjunto RFB e Comitê Gestor do IBS número 1 de 2025; é também a data confirmada pela Receita, em 2 de julho, para o início da implantação do CNPJ alfanumérico.
  • 03/08/2026: início da obrigação de preencher os campos de IBS e CBS no documento fiscal do regime regular, em produção, com a falta do preenchimento levando à rejeição da nota pelo sistema. Faltam 29 dias.
  • Aguardado: a publicação do ato conjunto entre a Receita e o Comitê Gestor do IBS detalhando, documento por documento, as hipóteses e os momentos de emissão de cada nota, inclusive de modelos novos como a NFAg e a NF-e ABI.
  • 04/01/2027: início da produção obrigatória da NF-e com IBS e CBS para Simples Nacional, excesso de sublimite e MEI, prazo derivado do artigo 348 da Lei Complementar 214 de 2025.

📌 Para acompanhar e se aprofundar

  • Acompanhe o Termômetro todo dia no blog: blog.professorfellipeguerra.com.br/blog.
  • Se você quer dominar a Reforma na prática, do enquadramento da operação e da classificação tributária ao local de incidência, ao crédito, ao Imposto Seletivo, ao split payment e à convivência dos dois sistemas na transição, as inscrições do curso Dominando a Reforma Tributária estão abertas.
Domingo de leitura de fundo, com a Reforma mostrando onde o jogo de verdade se decide: no agronegócio, o setor já trocou a briga da alíquota pela preocupação com a arquitetura do crédito e a rastreabilidade do insumo diferido, um recado que vale para toda a sua carteira. Na mesa técnica, a Receita e o Comitê Gestor do IBS ainda devem o ato que vai dizer, documento por documento, como cada nota nasce, inclusive modelos novos como a NFAg e a NF-e ABI. E o relógio mais curto da semana não é o de agosto, é o de quinta que vem, 10 de julho, prazo para as tabelas da versão 1.60 entrarem no sistema dos seus clientes. A ordem de serviço do fim de semana é essa: entenda a lógica do crédito de cada cliente e confira, fornecedor por fornecedor, se o emissor já está na versão nova. O regime regular segue firme a 29 dias de 3 de agosto. Bom domingo, ajuste a rota com calma, e fiquem com Deus.

Prof. Fellipe Guerra

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